
O pai de Mimi Tachikawa, Keisuke, voltava de seu estúdio em Shiba para Odaiba. Ele trabalhava principalmente como mixador freelance de áudio para música rock, então seu local de trabalho era em um estúdio subterrâneo de gravação. Porém, ele fora incapaz de fazer qualquer trabalho desde o início da tarde naquele dia. Independente do gerador de som que ele tocasse, sempre acabava pegando estética em algum lugar.
Depois de verificar as várias fontes de áudio, ele decidiu que todo o seu equipamente preciava de uma checagem. O dia terminou com ele tendo que suspender o trabalho enquanto esperava um técnico vir fazer a manutenção.
Como sempre ia a pé do estúdio para Shinashi para pegar o trem Yurikamome, ele não ficara ciente do trânsito congestionado que acontecia em várias partes da cidade.
– Uau, o pôr-do-sol está bem vermelho hoje!
Enquanto ele olhava distraidamente pela janela, o cenário começou a neblinar aos poucos.
– Neblina? Que estranho.
O Yurikamome em que ele andava chegou a Odaiba sem dificuldades. Trinta minutos depois, todos os serviçoes foram suspensos.
Por volta da mesma hora, o pai de Taichi Yagami, Susumo, estava a bordo da linha Rinkai Fukutoshin, indo de Shinkiba para Odaiba.
– Claro, me diga pra voltar pra casa mais cedo porque tem monstros ou coisa assim à solta em Tóquio, mas... cara...
Como não tinha visto com os próprios olhos, ele se sentia mais irritado que nervoso. O restante da multidão voltando pra casa junto dele também se sentia assim.
De pé atrás de Susumu, costas com costas, estava o pai de Koushiro, Masami. Claro, nenhum deles sabia quem o outro era naquele momento.
Masami parecia muito apreensivo. Noite passada, seu filho Koushiro tinha aparentemente trancado a porta do quarto e fugido secretamente pela janela pra passear.
– Hoje... Eu preciso falar com o Koushiro.
Havia uma coisa a respeito da qual ele sabia que precisava falar ao filho um dia. Seria hoje o dia? Mesmo enquanto o trem entrava na estação, ele não conseguia decidir.
Havia mais gente que o normal na parada da plataforma. As pessoas que vieram visitar Odaiba ouviram as condições climáticas na cidade e decidiram voltar para casa cedo.
Embora tivesse ficado bem escuro, o pôr-do-sol deixaram o céu tão avermelhado que Birdramon mal era notada enquanto voava.
Birdramon aterrissou no telhado do condomínio, retornando para Piyomon. Sora, Mimi e Palmon estavam com ela.
– Bom trabalho hoje.
– Sora, estou com fome...
– Aguente só mais um pouco, Piyomon. Sinto muito por isso, mas você pode entrar pela janela de novo? Eu vou abrir e dar o sinal quando estiver lá dentro.
Kabuterimon aterrissou alguns momentos depois. Montando nele estavam Koushiro, Yamato e Gabumon.
Kabeturimon regrediu para Tentomon e, quando a interferência eletromagnética acabou, Yamato agarrou o sistema de telefone portátil de Koushiro e olhou para a tela. Não havia mensagem de Jou.
– Nada ainda, huh?
Aparentemente, a última mensagem que eles mandaram antes de voar estava demorando para ser enviada porque as comunicações enfrentavam interrupções ao longo do caminho.
– Está demorando mais tempo do que eu pensei – Koushiro disse. Os Digimons que apareceram em Tóqio tinha só atacavam sem rumo, mas muitos também conseguiam se esconder habilmente. Levou um bom tempo só pra encontrá-los. – O dia já quase acabou.
– Sim, mas Jou deve estar bem. Mudando de assunto... – Yamato olhou em volta para os Digimons cansados. – Vamos comer alguma coisa agora enquanto podemos e recobrar energia.
– Devemos nos apressar. Taichi e Hikari estão esperando – Sora disse, mas era Sora quem mais precisava se apressar. O pai de Yamato não devia esar em casa ainda, e Koushiro podia escapulir pela janela. Mimi também conseguia dar um jeito, mas Sora precisava comer e sair de casa antes que a mãe voltasse. Ela não esperava que a mãe fosse compreensiva dadas as circustâncias.
Todos subiram pelo elevador, se separando para seus respectivos andares.
Como estiveram lutando por toda Tóquio, eles não perceberam que Vamdemon já tinha os olhos em Odaiba.
– Sora, preciso falar com você.
Ela não estava esperando que a mãe já estivesse em casa.
– Por favor, não pense que eu estou dizendo algo estúpido, mas... Pode me dizer onde você esteve essa tarde?
Ela viu Birdramon.
O tom de voz de sua mãe não era acusatório. Ela falava hesitante, como se não tivesse certeza e achasse estar errada.
Só deixava mais difícil para ela encontrar um momento mais ideal para falar com a mãe sobre Piyomon.
Se eu soubesse que isso ia acontecer, então talez eu devesse ter trazido ela comigo ao invés de dizer pra ela vir pela janela.
Qual era o melhor jeito de dizer a sua mãe o que estava acontecendo sem chocá-la. Sora pensou sobre isso, mas emediatamente se sobrecarregou. Ela sentia que seria melhor se contasse à mãe tudo desde o começo e então deixasse Piyomon vir conhecê-la enfim.
– Mãe... É uma história meio longa, mas você pode me ouvir?
Piyomon foi deixada esperando por mais tempo do lado de fora da janela.
O sol se pôs.
Sob circustâncias normais, o sol teria se posto mais tarde. Mas uma pesada camada de neblina pairava densamente ao oeste, escurecendo o pôr-do-sol mais cedo. O pôr-do-sol, que todo mundo achava mais vermelho que o normal, desapareceu completamente atrás da neblina.
Depois de engolir o sol, a densidade da neblina em volta de Odaiba aumentou. Ela se contorcia como um ser vivo.
Ela cercou a área inteira de Odaiba.
– Hehehe...
Uma risada podia ser ouvida vindo de algum lugar lá dentro.
Tanto o Yurikamome quanto o Rinkai Fukotishin pararam de funcionar. Até mesmo todos os automóveis atravessando a Ponte Arco-Íris morreram porque seus sistemas elétricos se desligaram.
Nemunha chamada telefónica conectava. E não era só com as linhas por cabo, mas conexões sem fio também.
As ondas de rádio e televisão que estavam sendo mandadas de Odabida também eram desligadas, seus canais aparecendo em residências ao longo de toda a nação como nada mais que estática.
Do lado de fora das áreas em volta, parecia que Odaiba estava coberta completamente por uma redoma de neblina. Mas os residentes que estavam lá dentro não percebiam imediatamente que algo estava errado. A neblina era densa apenas na fronteira, enquanto no interior era esparsa. Nenhum mudança era notada no suprimento de água e eletricidade. As únicas pessoas que notavam que algo estava estranho eram as que faziam ligações ou assistiam à TV. Todas as estações de rádio e TV dentro da redoma tinham recepção ruim de sinal.
Durante a formação inicial, a redoma de neblina ainda podia ser atravessada. Pessoas que pararam os carros na rodovia, indo em direção à Ponte Arco-Íris e Shinkiba, os deixaram para atravessar andando, então foram capazes de passar pela neblina e sair da redoma. Elas não faziam ideia da sorte que tiveram.
Nem mesmo dez minutos tinham se passado quando a nelbina se intensificou até ficar quase sólida.
– Agora ninguém pode escapar da minha barreira.
Dentro da neblina, uma sombra humana pairava no triunfal telhado rústico em arco do prédio do Centro de Telecomunicações. Sua capa sombria com com forro rubro flutuava atrás dele. Era Vamdemon.
Sua capa se espalhava como asas.
– Agora vão, meus servos das trevas.
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