
No momento em que Jou, Takeru e Natsuko chegaram em Shibashi, o Yurikamome tinha parado de funcionar. Barcos também estavam proibidos de deixar o porto, então havia uma multidão de gente no Terminal Takeshiba. Odaiba estava coberta de neblina e não havia dúvidas de que já estava em estado de caos.
– Se é assim... – Jou disse encarando Gomamon.
– Sim! – Gomamon acenou.
O grupo deixou o píer e foi para um cais que não tinha pessoas em volta.
– Gomamon digivolve para Ikkakumon.
Diante dos olhos de Natsuko, Homamon, que era do tamanho de um cachorro de médio porte, foi envolto em luz antes de se transformar em Ikkakumon, que era do tamanho de um pequeno caminhão, com pelos eriçados.
– Isso é...
Ao longo de caminho até lá, aqueles quatro contaram a ela sobre o Mundo Digital. Embora ela tivesse dificuldades em acreditar neles, isso explicava tudo que tinha acontecido quatro anos atrás em Hikarigaoka. E também tinha o Gesomon que ela testemunhara mais cedo. Gomamon e Patamon eram claramente seres vivos e até falavam a língua humana. E agora ela vira esse fenômeno de evolução diante de seus olhos.
– Eu também vou.
Ela não podia deixar o filho pequeno e esse garoto de aparência impotente por conta própria. Os três humanos e Patamon escalaram as costas de Ikkakumon e entraram no oceano.
Assim que se aproximaram da redoma, eles perceberam que não era só a densidade da neblina que era anormal. Tinha uma pressão invisível também que lhes bloqueava de entrar.
Alguma coisa se aproximou deles de dentro da neblina.
– Jou! Se segura!
Assim que Ikkakumon terminou de falar, algo que parecia a cabeça de uma serpente gigante emergiu da superfície da água.
– É enorme...!
Mesmo só a parte que se erguia acima do oceano era tão grande quanto um prédio de três andares. Seu corpo real provavelmente tinha mais de dez metros de comprimento.
No passado, as crianças tinham encontrado um Digimon de Nível Adulto chamado Seadramon, mas esse Digimon era muito maior que ele e vestia uma armadura em sua cabeça. Eles podiam ver que era muito mais forte que o Seadramon que eles conheciam.
– Deve ser um Digimon Perfeito!
Mesmo que fosse, Ikkakumon não hesitou em disparar seus chifres. Não havia dúvidas de que aquele era um dos capangas de Vamdemon.
– Torpedo Arpão!
Natsuko, vendo os chifres voadores, se deu conta que foi esse Ikkakumon que os salvou do Gesomon. Porém, diferente daquela vez, os mísseis orgânicos que ele disparava não pareciam causa dano ao adversário, não importava quantas vezes ele atirasse.
O Digimon, Mega Seadramon, disparou um relâmpago do chifre em sua cabeça. Ikkakumon rapidamente nadou para o lado, desviando do golpe. Mas o poder do relâmpago quandoa tingiu a superfície do oceano era pavoroso, e o mar inchou como se tivesse explodido. Ikkakumon foi lançado no ar.
Jou, Takeru e Natsuko foram jogados também. Enquanto a mente de Jou lentamente perdia a consciência com o golpe, ele só tinha um único desejo.
– Eu tenho que fazer o que for preciso para proteger o Takeru e a mãe dele. Eu tenho que nos levar até Odaiba.
O Digivive na mochila de Jou começou a brilhar com mais força do que nunca.
Em frente ao Parque Oceânico de Odaiba havia um lugar chamado Bateria #3. Eram os restos da bateria de uma arma do período de Reconstrução Meiji, situados em um terreno quadrado que se projetava da água à frente de uma estrada estreita. Era o lugar onde Tailmon e Wizarmon lutaram contra Vamdemon na noite anterior. Wizarmon tinha afundado no oceano bem ao lado da Bateria #3.
O bande de morcegos no ataque Asas Espantosa de Vamdemon feriram Wizarmon profundamente. Como seu corpo era composto como o de uma boneca de pano, ser permeado de água fazia seus membros pesarem. Ele era incapaz de se mover mais com suas próprias forças.
As únicas coisas que ele não soltava, mesmo inconsciente, eram seu bastão mágico e os dois brasões.
Um dos brasões começou a brilhar.
O brasão começou a se mover para frente, como se estivesse sendo puxado por algo.
Wizarmon, ainda inconsciente, segurou ainda mais seu aperto.
Jou e os outros flutuavam na água. Ikkakumon queria resgatá-los, mas não podia se mover.
Mega Seadramon, confiante da vitória, se aproximou deles sem pressa. O chifre em sua cabeça se iluminou perigosamente, pronto para atacar com um relâmpago a qualquer momento, Com um golpe direto, Ikkakumon não teria chance.
Wizarmon estava viajando pelo oceano numa velocidade incrivelmente alta. O brasão em sua mão avançava com uma força impressionante. Ele se pôs entre Mega Seadramon e Ikkakumon, explodindo da água como um gêiser. O brasão, ainda em sua mão, brilhou no meio do ar.
Banhado pela luz, Ikkakumon digivolveu para a forma Perfeita.
– Ikkakumon super digivolve para Zudomon!
O casco resistente de tartaruga. As longas presas de uma morsa. O chifre em suas testa mudou do de Ikkakumon para um diferente com recortes mais serrilhados. Seu corpo inteiro ficou duas vezes maior, e ele agora era tão grande quanto Metal Greymon. O que o diferenciava ainda mais de antes era que ele carregava um martelo gigante em sua mãos direita, o Martelo de Thor.
Ele levantou o Martelo de Thor para o alto, descendo-o na cabeça de Mega Seadramon.
O martelo feito de Chrome Digizoid, o metal mais forte do Digimundo, esmigalhou facilmente a armadura da cabeça de Mega Seadramon em mil pedaços. Esse único golpe obliterou o sistema nervoso de Mega Seadramon
Mega Seadramon lentamente caiu de costas no oceano, nem tendo tempo de dar um grito sequer, se desintegrando em partículas.
Zudomon trouxe Jou e os outros para descansar em suas costas imensas, e entrou na neblina. Claro, ele recolheu Wizarmon também. Sendo um Digimon Perfeito, a pressão na neblina não era nada enquanto ele entrava em Odaiba.
A consciência de Wizarmon começou a voltar. Ele era capaz de registrar que tinha sido salvo por Jou e que agarrava com força seu bastão e os Brasões em suas mãos. Ele também podia sentir que o Livro de Feitiçaria que ele mantinha escondido no bolso do peito tinha sumido. Deve ter se soltado e caído no oceano.
Aquele livro e seu bastão eram itens que ele trouxera consigo desde de sua terra natal, e o livro também era a razão pela qual ele fora exilado de lá. Porém, havia algo mais importante em que focar naquele momento.
– Esse brasão... É seu.
Ele esticou o braço, entregando o brasão que brilhara momentos atrás e o entregou a Jou.
– Esse é o meu brasão? – Jou perguntou, aceitando-o silenciosamente.
– Isso mesmo. O que você detém agora é o Brasão da Sinceridade... E esse...
Wizarmon mexeu o outro brasão.
– É o Brasão da Luz... Devo entregar esse para Tailmon... e Hikari...

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