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08 setembro 2026

Digimon Adventure - Capítulo 7.2: Emboscada


A ordem que Pico Devimon recebeu de Vamdemon foi: – Reúna todos os meus Digimons subordinados em Odaiba antes da noite chegar.
Depois de entrar em contato com os Digimons espalhados por Tóquio, Pico Devimon decidiu dormir um pouco.
– Eu trabalhei sem parar a noite inteira. Além disso, parece que hoje mais tarde vai ser mais uma rodada de trabalho duro.
Mas enquanto ele dormia, algo inesperado aconteceu. Digimons gigantes escapuliram pelo sistema subterrâneo de esgotos durante a caminhada. Como eles só precisavam ver se seus Brasões da Luz reagiam ou não, eles vagaram sem rumo, se movendo por lugares por onde conseguiam passar facilmente. Contudo, uma vez que receberam a ordem de voltar a Odaiba, eles descobriram que havia certos lugares subterrâneos por onde eles não podiam passar. Eles tiveram que emergir de volta à ruas.
Havia até alguns Digimons voadores que caíram dos céus e causaram tumulto no chão. Eles estavam famintos



Todos os canais de TV em Odaiba, não só os departamentos de notícias, se achavam num estado de confusão. Havia informes de criaturas monstruosas enlouquecidas ao longo de várias partes da área metropolitana, mas nenhuma prova sólida em vídeo surgia.
– Hm? Ah, é você, Yamato. Estou ocupado agora, não me ligue no meio do trabalho. Huh? O quê? Você quer que eu te diga as localizações onde os monstros apareceram? Pra que você quer isso? – O pai de Yamato, Hiroaki, disse irritado, mas ele ainda passou as informações para seu filho, que soava estranhamente sério.



A mãe de Sora Takenouchi, Yoshiko, estava no escritório da Escola de Arranjos Florais Takenouchi no Bloco 8 de Ginza.
Sirenes dos carros de polícia irrompiam do lado de fora. Algumas vezes, algo como explosões ou (mais comumente) rugidos bestiais pareciam se misturar. A TV e o rádio tinham estática forte, então era impossível ver ou ouvir. Nem mesmo os telefones funcionavam, então ela não tinha ideia do que estava acontecendo.
– Será que estão gravando um filme? Tudo que eu escuto são carros de polícia, então não pode ser um incêndio. – Yoshiko sussurrou pra si mesma, tirando os olhos dos documentos da exibição de outono.
A Escolha Takenouchi não era não grande, mas era uma escola de longa tradição, e Yoshiko tinha olhos dignos e determinados, adequados para uma diretora.
Devido a essa tradição duradoura, seu marido, que era professor assistente na universidade na época do casamento, escolheu levar o sobrenome dela. Não significava que ele fora adotado pela família dela, mas enquanto seus alunos a visitariam em casa frequentemente, seu marido, Haruhiko, não estava em casa, ou sequer em Tóquio, por longos perídios de tempo devido a sua pesquisa de campo que o mantinha longe. Era possível que outros a vissem como uma pessoa que tratava os alunos com grande consideração, mas seu próprio marido de forma frívola. Mesmo sua única filha, Sora, era difícil com ela quando a olhava secretamente com uma atitude rebelde por causa disso.
Mas quando Sora voltou para casa ontem, ela estava surpreendentemente obediente.  De fato, parecia que ela queria dizer algo. Originalmente, como Sora devia ter passado a noite no acampamento, Yoshiko tinha organizado a agenda para que pudesse trabalhar em tarefas até tarde da noite. Já devia ter passado das dez da noite quando ela voltou em casa, então ela repreendeu Sora e disse que elas conversariam na manhã seguinte e foi pra cama imediatamente.
E ela não soltou nenhuma reclamação. Me pergunto o por quê.
No fim, quando a manhã chegou, elas não tiveram tempo para falar, embora ela estivessem curiosa sobre o que tinha acontecido no acampamento.
– Mestra, olhe! Tem um cacto andando! Um cacto gigante! – uma das alunas gritou olhando pelas janelas.
– Não faça tanto escândalo! Tenho certeza que só estão gravando um filme.
– Mas é... Oh, é um louva-a-deus gigante!
Cinco ou seis pessoas no escritório também correram para as janelas, gritando em polvorosa.
– Uau, você tem razão!
E: – O que é aquilo?
Uma grande bola de fogo voou pela janela.
– Whoa!
Todos recuaram em um salto. Então ouviram uma explosão alta.
Nem mesmo Yoshiko pôde ignorar mais. Ela se levantou, andando para as janelas.
Uma bola de fogo ainda maior voou à vista dela. Dessa vez, pareceu um pássaro flamejante. Mas os olhos de Yoshiko foram atraídos para a figura agarrada às pernas da fênix.
– ... Sora!
A jovem garota pendurada nas pernas do pássaro não era outra senão sua própria filha.
Em pânico, ela correu para a janela e olhou para fora, mas ele já devia ter voado dali, porque ela não viu nada.
Nem o cacto gigante.



– Rajada Uivante!
Garurumon cuspiu chamas azuis de sua boca. 
Um amontoado de lodo cheio de pedaços de metal e destroços queimou contra as chamas enquanto avançava. O amontoado tinha dez metros de comprimento e encarava com olhos turvos.
– Reremon, um Digimon Adulto – Koushiro disse olhando a análise do Digimon na tela do laptop.
Sem um momento de descanso, Kabuterimon lançou uma bola de eletricidade no meio do ar.
– Eletrochoque!
Havia um monte de armazéns em Shibaura e o Raremon que estava encurralado contra um deles foi atingido pelo golpe diretamente, desaparecendo na hora.
– Yamato, rápido – Koushiro gritou saltando para Kabuterimon que desceu para uma altura mais baixa. Garurumon, com Yamato nas costas, saltou no ar, revertendo para a forma de Gabumon no meio do salto.
Era, é claro, tudo parte do plano, e Yamato e Gabumon aterrissou perfeitamente na cabeça de Kabuterimon, que começava a subir d enovo.
Os policiais nos carros  e os trabalhadores nos escritórios em volta dos armazéns olhavam para cima surpresos.
– Pelo menos limpamos o lugar.
– O próximo é... Asakusa. Vamos voar pra lá agora.

As Crianças Escolhidas não podia negligenciar os Digimons aparecendo em Tóquio. Elas decidiram se separar para lidar com eles.
Sem saber quando Vamdemon viria atacar Hikari, Taichi decidiu ficar em Odaiba para protegê=la.
Sora foi para Ginza enquanto encorajava Mimi, que parecia sem vontade de lutar.
Kouhsiro e Yamato foram para Shibaura.Ao longo do caminho, eles mantinham contato uns com os outros através do sistema de telefone portátil de Koushiro e o celular que Mimi pegara emprestado dos pais. O problema da ideia, era que a interferência eletromagnética ficava horrível quando os parceiros iam para o Nível Adulto, então eles não conseguiam se conectar.
Se chegasse a hora, o Agumon de Taichi, que estava protegendo Hikari sozinho, poderia digivolver para o  Nível Perfeito, junto com a Piyomon da Sora, a Palmon da Mimi, o Tentomon do Koushiro e o Gabumon do Yamato. Seus poderes de luta estavam até bem distribuídos e, ainda por cima, a Pyomon da Sora e o Tentomon do KOushiro podiam voar pelos céus como Birdramon e Kabuterimon. Eles tinham que se mover rapidamente, senão podiam ser pegos pela polícia e impedidos de enfrentar os subordinados de Vamdemon.
Jou e Gomamon, que ainda eram incapazes de digivolver para Perfeito e também não eram bons em se mover pela terra, tinham um papel diferente a desempenhar.



Takeru Takaishi e sua mãe, Natsuko, pegaram a Linha Setagaya de Sangenjaya para a estação de Goutokuji. Uma avenida que levava da rua principal para uma estrada residencial tinha um pequeno restaurante francês no meio das casas particulares.
– Eu sinto muito por ontem. Nunca pensei que o acampamento seria cancelado.
Quando Natsuko voltou para casa trade da noite passada, ela ficou surpresa ao ver Takeru em casa antes dela.
– Se eu soubesse, teria feito o seu jantar.
Depois de ouvir que Yamato tinha feito o jantar para ele, ela decidiu que os dois deveriam almoçar no restaurante francês no dia seguinte pra compensar.
– Mas o espaguete do irmãozão era delicioso. Além disso, você estava ocupada no trabalho.
– Mas eu acabei ele esperando em vão, e isso atrasou o resto dos meus planos. A pessoa que ele só poderia se encontrar comigo no domingo, e como era um dia de acampamento, eu pensei que daria certo e fiquei com ele. E no fim, ele me deixou esperando. Não foi horrível?
Como o pai dela era francês e ela própria vivera um tempo na França, Natsuko trabalhava tanto como tradutora de francês quanto escritora de não-ficção. Muito do trabalho dela envolvia escrever reportagens para pesquisa física e química. Embora ela não pudesse dizer, ela era bem paga, e achava que era melhor do que um trabalho normal num escritório.
Entre seus trabalhos normais, um projeto paralelo no qual ela trabalhava envolvia investigar o "incidente terrorista em Hikarigaoka" quatro anos atrás.
Foi algo que aconteceu no lugar onde ela vivia. Não só chamou sua atenção, mas enquanto ela seguia investigando, ela encontrou muitos aspectos sobre isso que não eram explicações aceitáveis para ela. Ainda não era informação suficiente para ela colocar em seu artigo ou num livro, mas alguém, de algum modo, conseguiu descobrir que ela estava trabalhando nisso e a contatou querendo conversar. Mas quando a hora da reunião chegou, o homem que ela devia encontrar não apareceu.

Como era o nome do homem? Oikawa? Eu acho? Nunca vou marcar um encontro com ele de novo.
Ela mordeu uma alcachofra de seu prato e ouviu um estômago roncando do outro lado da mesa.
– Takeru, você está com tanta fome assim?
– N-Não...
Takeru não podia dizer a ela que o estômago roncando era de Patamon, que ele colocara no assento ao lado dele. Patamon estava fingindo ser um bicho de pelúcia. Como a mãe de Takeru estava com eles, ele não fora capaz de comer naquela manhã.
Não acredito que é mais difícil achar comida aqui do que no Digimundo...
Patamon conteve suas lágrimas. Noite passada, ele comer o espaguete de Yamato até nãoa guentar mais, mas sua energia fora gasta digivolvendo para Angemon.
Patamon continuou com fome até Takeru fingir comer pão e secretamente sacudi-lo na direção de Patamon.

O restaurante francês, naturalmente, não tinha TV ou rádio ao fundo, mas música clássica tocando. Mãe e filho não tinham ideia do caos que estava acontecendo até que pisaram do lado de fora.
A Linha Setagaya estava suspensa. As estradas estavam terrivelmente congestionadas por alguma razão.
– É um pouco tarde, mas que tal a gente caminhar um pouco depois da refeição? – Natsuko disse, sem pressa, mas Takeru se sentiu inquieto.
– Poderia ser... obra de um Digimon?
Tudo que ele sabia era que algo tinha acontecido. Mas como ele explicaria para a mãe?

Depois de andarem por trinta minutos, a causa do que suspendeu a Linha Setagaya ficou mais clara. Carros de polícia e caminhões de bombeiro se reuniam em frente a uma área fechada pela fita da polícia. O solo se projetava em montes, enquanto os trilhos de trem nele foram arrancados do chão.
– O que é isso...?
Natsuko ficou paralisada, estupefata até, mas Takeru sabia. Tinha que ser obra de um Digimon. Um dos lacaios de Vamdemon.
Havia um buraco escavado no centro de um dos montes de terra, e um grande Digimon parecia emergir do subsolo.
Não, aquele Digimon, Gesomon, não tinha aparecido acima do solo ainda. Ele mudou a direção na metade do caminho e olhou para um ponto diferente, por onde era mais fácil de sair.
Não havia muitas passagens no sistema de esgoto que eram largas o bastante, então ele continuou correndo para becos sem saída. Em pura irritação, ele decidiu forçar seu caminho até a superfície.

As árvores alinhadas nas ruas começaram a pender, desprendendo suas raízes e caindo ao chão com bawues altos.
– ... Uma lula?
O solo inchou e o corpo de Gesomon brotou. Parecia nada mais que uma lula gigante. Enquanto corriam apressados, Takeru segurava Patamon perto de si.
– Eu devo digivolver?
– Mas minha mãe...
A polícia atirou com as pistolas. O som surdo dos tiros ecoava e as balas atingiam Gesomon em cheio.
A superfície do corpo de Gesomon era lisa, mas certamente não era macia. As balas atingiam sua pele e caíam lentamente no chão.
Seus dois longos tentáculos derrubaram os oficiais na linha de frente com um único golpe.
Gesomon, quando de pé, tinha oito metros de altura, ainda maior que um prédio de dois andares. Suas oito patas escorregadias se contorciam, perseguindo Takeru e sua mãe.
– Acho que ele está atrás de mim – Patamon disse em realização. – Ele sabe que eu sou um Digimon!
Ele tentou se soltar do aperto de Takeru, achando que poderia digivolver e lutar.
Os tentáculos de Gesomon se lançaram contra eles.  Quando esticados, os tentáculos tinham quinze metros de comprimento. Eles deslizavam facilmente atrás dos dois, bloqueando o caminho deles. O corredor, que não era tão largo pra começo de conversa, estava bloqueado de ambos os lados.
– Takeru!
Natsuko segurou Takeru perto dela. Os tentáculos chegaram mais perto.
– Torpedo Arpão!
Uma forma triangular longa e fina veio voando do telhado das casas. Suas casca se abriu no meio do ar e o míssil orgânico dentro voou, mirando direto em Gesomon.
O primeiro atingiu o alvo, seguido sem pausa por mais cinco. Gesomon se dissolveu em partículas sem a menor resistência.
Um menino carregando uma mochila esportiva no ombro veio correndo para Natsuko, que continuava parada ali, petrificada. Era um rapaz magro de óculos.
– Takeru! Finalmente te achei!
– Jou!
Takeru correu para o menino.
Takeru era amigo dele? Natsuko se perguntou, incapaz de processar o que estava acontecendo quando o menino se virou para saudá-la.
– É um prazer conhecê-la! Eu sou Jou Kido. Estudo na sexta série, na mesma escola primária de Odaiba que o seu filho Yamato Ishida.
– Jou, o que você está falando? Vamos logo, eu estou com fome!
Uma voz chamou de dentro da mochila. Então uma cabeça brotou.
– Ah, droga, tinha outra pessoa aqui!
Vendo Natsuko, Gomamon cocçou a cabeça sem jeito.
– Ele falou... – Natsuko disse lentamente surpresa, mas não tinha acabado ainda.
– Gomamon...
Não só Jou e Gomamon suspiraram, mas também o brinquedo de pelúcia que Takeru segurava nos braços.




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