
Os ônibus lotados de crianças chegaram a Odaiba. O acampamento de verão foi cancelado por causa da nevasca inesperada, então ao invés de seguir o plano original de passar a noite lá, decidiram voltar para casa.
– A profecia do Dia do Juízo Final acabou sendo falsa, mas eu não esperava uma nevasca como aquela – Ichiro Fujiyama, o professor da turma 5-2 sussurrou para si mesmo. – De qualquer modo, estou feliz que as crianças estão bem.
As crianças pegaram suas malas e formaram fila. Dado o grande número de estudantes que enchiam os dois ônibus do acampamento, Fujiyama não notou que certas crianças tinham mais bagagem do que quando chegaram ao acampamento.
– Professor, o que é essa profecia do Dia do Juízo Final que você falou?
– É uma profecia feita por Nostradamus. Ele disse que em julho de 1999 algo terrível iria acontecer. Eu aprendi sobre ela quando era criança. Ah, espera, esquece, não é importante. Estamos quase em casa, então vão direto para suas família sem fazer desvios, entenderam? Seus pais vão se preocupar com vocês. Dispensados.
– Tchau!
– Até amanhã!
As crianças se espalharam de volta para seus lares fazendo barulho.
Depois de Jou ter andado alguns metros, Gomamon pôs a cabeça pra fora da bolsa do menino.
– Jou, está tudo limpo agora?
– Huh? Oh. Sim, mas vamos esperar Taichi e os outros aqui.
Como alguns dos Digimons, como Agumon, eram muito grandes para caber numa mochila, eles tiveram que se esgueirar no teto dos ônibus e se segurar com força para ie para casa neles.
No momenot em que os ônibus pararam, eles deviam ter pulado e se escondido.
– Oh, lá vem eles agora!
Jou os chamou. As crianças e seus Digimons tinha feito um largo desvio antes de voltar lá, então não seriam vistos pelo Sr. Fujiyama e os outros.
– Graças a Deus! Eu estava preocupado que vocês tivessem caído do ônibus.
Taichi trouxe Agumon consigo. Perto deles, Patamon estava montado na cabeça de Takeru.
– Mas deu tudo certo – Patamon disse com um sorriso.
– Shh, você não pode falar, Patamon – Takeru cobriu a boca de Patamon com a mão. – Você ainda precisa fingir que é um boneco.
– Mas é muito pesado carregar eles. Espero que você cresça logo pra andar sozinha – Mimi suspirou. Ela carregava a forma de Treinamento de Palmon, Tanemon, nos braços.
– É muito confortável – Tanemon respondeu. – Mas foi muito difícil segurar na teto do ônibus a viagem toda.
Gabumon e Palmon, que tinham lutado em suas Formas Perfeitas Were Garurumon e Lilimon no castelo de Vamdemon. tinha retornado às formas de Treinamento Tsunomon e Tanemon. Mimi e Yamato tinham que carregá-los por aí.
– De qualquer forma – Sora disse, olhando em volta para se assegurar que a área estava deserta. – Vamos todos para casa por hoje. Estamos todos cansados e não podemos deixar que nossas famílias se preocupem conosco.
– Também não parece ter notícias de Vamdemon e seu exército causando caos ainda – Koushiro adicionou. Ele tinha conectado seu laptop à internet durante o passeio de ônibus e checado as notícias.
– Vamos adiar a decisão do que fazer e como procurar a oitava criança amanhã – Sora disse.
Tóquio em agosto era quente, mesmo por volta do pôr-do-sol. A umidade se agarrava a seus corpos. Era completamente diferente do frio que eles sentiam nas montanhas do acampamento.
Mas nenhuma das crianças se importava. Os condomínios que se erguiam diante delas eram, sem sombra de dúvidas, as casas em que elas viviam.
– Estamos em casa – Jou disse.
No mundo real, elas tinham estado em casa naquela mesma manhã, mas mentalmente tinha se passado mais de meio ano. Esse era um sentimento que ainda não as tinha atingido enquanto voltavam do acampamento, mas estava lá agora.
Quando elas acordaram, havia neve em todo lugar. Jou não se lembrou logo de cara que tinha acontecido uma tempestade de neve logo antes de entrarem no Digimundo, e achou por um instante que o tempo tinha passado e chegara o inverno. Como prova de que as aventuras no Mundo Digital não tinham sido um sonho, seus Digimons estavam com eles.
Ao deixar o santuário no lado mais lato da montanha e descer para o terreno do acampamento, eles se reuniram com seus amigos e Fujiyama. Não levou muito tempo para que percebessem que ainda era 1º de agosto. Apenas três horas tinham se passado. Surpresa e alegria desceram sobre eles de uma vez e elas quase se esqueceram de esconder os Digimons de seus amigos.
– Aqui é a minha casa – Mimi disse.
Sua voz já estava falhando em soluços. Enquanto se aproximavam dos condomínios, seus passos ficavam mais e mais rápidos.
– Até amanhã – Taichi disse atravessando a faixa de pedestres. Taichi e Yamato viviam nos condomínios do lado direito da rua a partir dali.
– Vamos todos conversar amanhã – ele gritou correndo quando o semáforo ficou verde. Os outros também correram para suas casas. Os únicos que ficaram parados lá foram Yamato, segurando Tsunomon em seus braços, e Takeru, com Patamon em sua cabeça.
– Irmãozão...
Ouvindo seu irmão chamá-lo, Yamato voltou para si e começou a andar.
Mesmo que ele voltasse para casa agora, seu pai não estaria lá naquele horário.
Pelo som da porta da frente abrindo, Hikari sabia que Taichi tinha voltado para casa. Ela ouviu a voz da mãe chamando da sala de estar.
– Taichi? Você voltou? Foi uma surpresa e tanto, não foi? Eu recebi uma ligação da escola que o acampamento tinha sido cancelado.
Enquanto Taichi ouvia a voz dela, ele silenciosamente empurrou Agumon para seu quarto. Olhando para Hikari com uma expressão que dizia "Fica de olho nele", ele se virou com um rosto indiferente para olhar a mãe, que tinha vindo da sala de jantar.
– Estou em casa.
Foi o máximo que ele aguentou antes de seu sorriso desmoronar. Ele não via a mãe há mais de meio ano.
Taichi correu para sua mãe e começou a chorar, se agarrando a ela.
– Ei, o que foi?
Hikari fingiu não ouvir a voz confusa da mãe ou os soluços de seu irmão mais velho.
Agumon olhava para ela e sorria. Hikari sorriu de volta.
– É você, Koromon. Você está bem menor dessa vez.
Agumon não sabia o que ela queria dizer com "dessa vez", então ele levantou a cabeça em surpresa.
– Eu me chamo Agumon agora. Você melhorou do resfriado?
– Sim. – Enquanto respondia, ela pôs um dedo nos lábios e disse silenciosamente: – Shh.
– Estou bem. Não estou ferido nem nada.
Enquanto Koushiro sorria para a mãe, ela sentia não apenas alívio, mas também algo mais.
Ela sentia como se aquele Koushiro não fosse o Koushiro que ela conhecia.
Eu não devia pensar assim.
Houve uma curta pausa antes que ela pudesse sorrir.
– Graças a Deus que nada aconteceu. Quer algo para beber?
– Sim, mas depois. Eu vou guardar isso.
Koushiro tirou o laptop da mochila que carregava e entrou no quarto. Enquanto olhava as costas dele, sua mãe sentia que sim, algo definitivamente tinha mudado. Ela ouviu o som de uma chave girando na fechadura.
A residência da família Izumi ficava no térreo do condomínio e, embora fosse pequena, tinha um jardim particular. Koushiro silenciosamente abriu a janela e falou para o jardim em voz baixa.
– Por aqui, Tentomon.
Tentomon botou a cabeça pra fora do esconderijo atrás dos vasos de plantas e voou para dentro.
– Uau, está quente aqui. Não aguento esse calor.
– Shhhh. Por favor, fique quieto. Eu vou trazer algo para você beber.
Ele viu Piyomon de relance voando acima deles.
A casa de Sora estava vazia.
–Mas eu estava ansiosa pra conhecer a mãe da Sora – Piyomon disse fazendo beicinho depois de voar pela janela.
– Eu esqueci. Ela disse que voltaria tarde porque tem aula hoje. Nós nem precisávamos que você entrasse pela janela, Piyomon.
– Aula.
– De arranjos florais. Pessoas juntam as flores de um jeito bonito. Ela ensina isso.
– Oh. é isso.
Além disso, o que a mãe de Sora diria se acabasse dando de cara com um Digimon?
– Mas eu prometo te apresentar a ela algum dia.
Havia algo que Sora queria dizer à mãe antes de qualquer coisa. Ela não sabia como colocar em palavras, mas pra começar, ela queria dizer "Obrigada"
– A comida que você faz é tão deliciosa, mamãe! – Mimi disse alegremente enquanto comia o arroz frito com kimchi coberto com morangos e chantili.
– Ah, é mesmo? Prove isso também. É salada de udon fria com pedaços de presunto e xarope de chocolate.
A mãe de Mimi, Satoe, sorria enquanto ela segurava um prato.
Aos olhos da sociedade, o menu da família dela era – falando de forma educada – incomum. Pra começar, geralmente continha combinações de comida que alguém veria normalmente.
Por um lado, se Mimi era incapaz de suportar muitas coisas no Digimundo, a razão pela qual ela era a que menos reclamava do grupo quando se tratava de comida era porque era assim que ela comia normalmente.
Na verdade, muitas dessas combinações de pratos eram feitas aos gostos de Mimi.
– Okay, obrigad...
O garfo de Mimi parou na metade do caminho para a boca dela.
– O que foi? Você está cheia?
– Não, eu quero comer mais e mais! Mas posso comer no meu quarto?
– Tá, se é o que você quer, Mimi.
A personalidade despreocupada de Satoe não via nada suspeito nas ações de Mimi.
Se ela visse Mimi, que retornava para o quarto com uma montanha de comida no prato, alimentando uma criatura que parecia o bulbo de uma planta com olhos e boca, ela provavelmente não ficaria surpresa também.
– Isso é tão gostoso! Mimi, sua mãe é uma cozinheiro gênio.
– Não é?
Como o quarto de Mimi era cheio de bonecas, o bulbo de planta mordendo um pedaço de presunto, Tanemon, não parecia nem um pouco de lugar.
– Eu queria que você pudesse ficar aqui pra sempre, Tanemon.
– Eu não posso. Tem algo que nós devemos fazer.
– Você está certa. Eu sei.
Depois de todo o esforço para voltar para casa, ela teria que voltar para aquele mundo de novo?
Ela teria que lutar de novo?
Mimi ficou ligeiramente triste.
– Ahhh, banhos quentes são a melhor coisa do mundo.
– Eu preferiria um pouco mais morno.
Embora tivessem viajado todos aqueles meses pelo Digimundo, a preocupação secreta de Jou eram seus estudos. Como ele era o único aluno da sexta série no grupo e ninguém mais estava considerando exames de entrada numa escola particular de ensino médio, ele não podia discutir isso com ninguém. Era um grande problema para ele. Não, esqueça os estudos na verdade. Ele já tinha desistido, achando que o dia dos exames já tinha passado.
Mas o que tinham sido vários meses no Digimundo tinham sido apenas algumas horas no Mundo Real.
– Ainda consigo terminar a tempo. Graças a Deus.
– Não seria melhor só desistir de vez?
– Eu não posso fazer isso. É muito importante pra mim. Meu pai é médico, e meus irmãos estão trabalhando duro para se tornarem médicos também.
Ele tinha que estudar o mais duro que podia, entrar em boas escolas, tirar boas notas, mas seu irmão Shin eram sempre escolhido como presidente do conselho estudantil, e seu imrão Shuu também era um bom atleta. Ele até tinha chegado nas nacionais com a equipe de corrida uma vez. Mas...
Ele olhou para o Digivice, mas o aparelho não tinha a habilidade de mostrar a localização dos outros com o de Tai tinha.
– Isso é mais importante agora. Temos que encontrar a oitava criança de algum modo.
– Fhwaaaaaah – Gomamon bocejou.
– Você está com sono?
– Mm, s[o um pouquinho.
Mesmo enquanto falava, Jou percebeu que estava bem cansado também. Até aquele momento, enquanto encostava a cabeça na cama, ele não tinha pensado no quão confortáveis seus lençóis eram.
– Foi um longo dia – ele sussurrou, e imediatamente caiu num sono profundo.
PRÓXIMO CAPÍTULO


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