A terra vai se dividir, as águas se separarão, e tudo será engolido rumo aos céus.Será seguido pela divisão das cidades, florestas, oceano e trevas,para construir a alta Montanha Espiral no céu.— "Livro Digimon de Revelações", Capítulo 15, Versículo 5
A profecia estava para se cumprir.
As montanhas, colinas, florestas, rios, oceanos, prédios e os Digimons da Ilha Arquivo foram varridos aos céus um a um.
Leomon podia apenas observar espantado, incapaz de entrar em ação naquele momento. Ele estava pasmo com a horrível catástrofe que progredia diante de seus olhos. É claro, ele saia que não estava acontecendo apenas na Ilha Arquivo. Estava acontecendo ao longo de todo o Digimundo.
As substância que eram tragadas para o outro lado do céu se torciam como um redemoinho na água. Pareciam seguir uma regra certa, divididas em quatro cinturões que se entrelaçavam juntas como serpentes, criando uma massiva forma cônica unida.
A Ilha Arquivo também estava sendo reconstruída naquele momento.
– Urgh!
– O chão em que Leomon estava tremeu. Se partiu do chão como um monte gigante de terra e começou a subir no ar em velocidade incrível.
Rapidamente, Leomon tentou se agarrar no tronco de uma grande árvore à frente dele. Mas mesmo a árvore fora puxada do solo junto com as raízes. Leomon se deitou de bruços no solo para se impedir de cair da massa de terra.
Gritos de outro Digimons em volta dele voavam para seus ouvidos.
Seus arredores se transformaram num inferno vivo.
Havia alguns que eram esmagados entre rochas, enquanto outros tinham os corpos rasgados ao meio quando eram pegos no fluxo da separação de dados. Bile subia por sua garganta enquanto imaginava que ele podia encontrar seu fim daquele jeito se desse um só passo errado.
Leomon olhou horrorizado.
Acima dele, a destruição da Ilha Arquivo progredia pouco a pouco. Buracos apareciam pela ilha e por ele ele via a noite. Uma noite sem estrelas. Um céu vazio. Se houvesse um lugar para onde ele pudesse escapar dessa catástrofe se desdobrando no Digimundo, tinha que ser aquele céu vazio. Tudo mais era reconstruído nas quatro faixas daquela horrenda espiral gigante, a Montanha Espiral...
Havia um grande número de Digimons que perderam suas vidas naquela catástrofe, mas ainda havia muitos outros que sobreviveram.
Leomon era um dos sobreviventes, que acabou em uma das quatro faixas da montanha espiral, o mundo de trevas comandado por Piemon.
Embora fosse chamado de mundo de trevas, a escuridão nele não era uma massa preta total, mas aquela do crepúsculo. Não havia prédios nem árvores ali. Era simplesmente uma planície simples desolada de aparência petrificada que se estendia por quilômetros e quilômetros.
Leomon vagava por ela, procurando amigos.
Ao longo do caminho, ele encontrou um grupo de Digimons que tinha milagrosamente sobrevivido como ele.
Era um grupo de vários tipos e atributos. Devia ser um grupo desencorajado que tentou discutir entre si sobre o que fazer depois de serem jogados juntos naquele mundo louco, mas tinha começado a brigar por opiniões diferentes.
Leomon se aproximou deles e tentou mediar. Porém, ele parou no meio do caminho. Ele viu um gás negro envolvê-los de repente por trás.
O gás se envolveu em torno deles como uma criatura viva, atacando os Digimons indefesos.
Uma vez que o gás os cercava, a cor dos olhos dos Digimons mudava. Ele eram controlados pelas forças das trevas.
Então, começaram a matar uns aos outros.
Enquanto Leomon observava de boca aberta, os Digimons morriam um após o outro. O último de pé estava tão excitado pelo cheiro de sangue que riu selvagemente enquanto cortava a própria garganta, e então morria.
As fronteiras entre faixas eram evidentes, como se linhas simples as dividissem. Leomon saiu do mundo de trevas para o próximo mundo: o mundo das cidades.
Esse mundo era comandado por Mugendramon. Todas as cidades do Digimundo estavam alinhadas e divididas em regiões num jeito sistemático.
Todavia, havia um grande fator de inconsistência na mistura de paisagens diferentes. Era uma exibição clara de que, para Mugendramon que tinha o coração de uma máquina, uma planta perfeita para suas cidades não incluía um olho artístico para julgar o que era ou não bonito.
Tankmons enchiam formações de patrulha em meio às estradas que formavam as linha grades das cidades. Seus canhões estavam armados, prontos para disparar contra qualquer intruso que aparecesse em seus radares.
Leomon se levantou um pouco para observá-los. Dali, ele aprendeu que a patrulha acontecia em intervalos de quinze minutos, então ele podia usar esse tempo para se mover para frente, se esconder e repetir.
Mas quanto mais perto ele chegava do centro da cidade, os intervalos da patrulha ficavam menores, então Leomon desistiu de se mover pelo chão e mergulhou em um bueiro.
Canos e canos grossos atravessavam da direita para a esquerda por todo lugar no subsolo, fazendo Leomon pensar que ele estava dentro do estômago de uma máquina. Pequenos pelotões de Hagurumons eram mantidos ali, patrulhando em horários regulares.
Leomon desviou da vigilância dos Hagurumons usando os cabos para viajar para o coração da cidade. Lá, Leomon se reuniu com Andromon.
Andromon, junto de todos da Cidade Fábrica, tinha sido puxado para o mundo das cidades, e agora liderava seu grupo de camaradas num movimento subterrâneo de resistência.
Em termos mais concretos, eles estavam usando os cabos subterrâneos para se infiltrar na rede, manipulando-os para secretamente manter contato com amigos e hackear informações secretas dos inimigos.
Assim, ele tinham uma ideia geral do processo que levou àquela catástrofe. De acordo com Andromon: – O programa que Nanomon criou foi o gatilho para essa catástrofe.
Quando Nanomon trabalhava como um escravo para Etemon, ele recebeu ordens dos Mestres das Trevas para desenvolver um certo programa. O programa foi feito para dividir toda a informação do Digimundo nos elementos de cidade, floresta, oceano e trevas, que seriam reconstruídos em áreas separadas com cada uma comandada por um dos Mestres das Trevas.
A ideia de dividir áreas em cinturões que se torciam numa espiral quádrupla foi modelada a partir da descrição da Montanha Espiral que aparecia no Livro Digimon de Revelações. A estabilidade que vinha da formação naquela forma devia fazer sentido para Nanomon também.
O próprio Nanomon fora engolido pelo buraco negro e não estava mais naquele mundo, mas o programa foi passado de Etemon para os Mestres das Trevas, que esperaram pelo momento certo para iniciá-lo.
– Entendi – Leomon acenou. – Mas não era preciso uma quantidade enorme de poder para mudar o Digimundo inteiro? Como eles conseguiram tal poder?
– Não conseguiram. Ao invé disso, selaram os poderes que se opunham a eles. Eles selaram o poder das quatro Feras Sagradas que protegem o Mundo Digital.
Os Mestres das Trevas trabalharam secretamente em seu plano por séculos, de acordo com o fluxo de tempo do Digimundo. Foi a longa, longa batalha que sobrepujou as quatro Feras Sagradas. Durante todo esse tempo, os Mestres das Trevas tinham deixado o controle do Digimundo nas mãos de seus subordinados: Vamdemon, Etemon e Devimon. Quando o selo das Feras Sagradas estava enfim completo, eles iniciaram o programa que reestruturou o mundo.
– Não acho que isso é tudo – Andromon disse. – Pode haver outra razão para tudo isso. Depois que Etemon foi derrotado, uma anomalia na rede... Bem, o venerável Gennai e Centalmon estão investigando isso agora mesmo, então devemos espera por mais notícias deles.
Leomon ficou no mundo de cidades por algum tempo, ajudando Andromon e os outros na luta.
Mas além de lutar contra inimigos, ele não conseguiu encontrar um jeito de retornar o Digimundo ao normal ou, se é que isso era possível, e destruir a Montanha Espiral. Ser incapaz de pensar num plano o estava deixando visivelmente irritado.
Um dia, Leomon subiu acima do nível do chão pela primeira vez em muito tempo.
Algo estranho podia ser visto no céu, como uma miragem, substituindo as estrelas. Era terra e mar, pendurados acima de sua cabeça.
Por que estava ali? A água, de algum modo, acabou no céu e refletia para aquele mundo na superfície? Mas a forma parecia diferente. O que diabos era aquilo então...?
Então, um ponto de luz intensa brilhou de lá. Era um arco-íris de luz. Voou do ar em direção à Montanha Espiral, caindo no chão como um cometa de cauda longa.
Era a última esperança do Digimundo.
Não havia dúvida em sua mente de que era o retorno das Crianças Escolhidas, que tinha seguido Vamdemon e partido para o Mundo Real.
– Punho do Imperador!
O demônio verde, Orgemon, usou todo o seu poder para atacar o Woodmon.
A resposta foi efetiva. O corpo do Woodmon se desfez em pedaços. Mas não era um único Woodmon que ele enfrentava. Como o atacavam em bando, eles continuavam vindo de novo e de novo, não importava quantas vezes ele os derrubasse.
Quando eles continuavam vindo em enxames, nem mesmo Orgemonc cuja vida giravam em torno de lutarc podia lidar com eles.
– Droga! Eu vou ter que fugir!
No fim, Orgemon fugiu.
Mas não tinha como os Woodmons deixarem ele ir assim tão fácil. Ele era a presa esperada deles. Eles sacudiram seus galhos e perseguiram Orgemon. Se o evento fosse visto dos céus, parecia que a floresta inteira estava se movendo. Eles estavam no domínio de Pinochimon, o mundo de florestas.
Orgemon tinha acabado de chegar àquele mundo, tendo vagado pelos outros mundo em busca de Leomon.
Para Orgemon, Leomon era seu eterno rival. Derrotar Leomon era a razão de viver de Orgmeon.
– Por isso eu não posso morrer até conquistar isso! Não posso deixar que Digimons como esses Woodmons me matem!
Os Woodmons se moviam lentamente, então Orgemon achou que podia despistá-los.
Porém, enquanto ele conhecia as florestas da Ilha Arquivo como a palma de sua mão, agora ele estava em uma terra estranha. Quando ele saiu da floresta e pensou ter encontrado a saída, o que ele achou foi um beco sem saída, cara a cara com a parede de um precipício.
– Droga!
Ele tentou dar meia volta, mas era tarde demais. O chefe do bando de Woodmons já tinha alcançado ele.
– Geehhh!
Orgemon deu um passa para trás. Os Woodmons o cercaram, deixando-o sem outro meio de fuga que não escalar o precipício.
– É isso? É assim que tudo acaba...?
Ele não estava lamentando por medo, mas por como ele pateticamente se permitira ser encurralado assim.
Ele teria morrido satisfeito se fosse pelas mãos de Leomon, mas pensar que sua morte seria por esses Digimon inferiores se juntando para sugar toda sua energia...
– Leomon... Leomoooooooon!
Orgemon gritou para a terra e a água de cabeça pra baixo flutuando no céu como nuvens cirrocumulus.
Minha voz alcançou você? Não estou te pedindo para me salvar, eu só quero que você seja o último a ouvir minha voz.
Nem meu último desejo será atendido?
Os Woodmons farfalharam mais perto.
Orgemon balançou seu tacape de osso numa última tentativa vã de retaliação, mas os Woodmons se moveram primeiro, lançando as pontas afiadas dos galhos que serviam de braços no corpo inteiro de Orgemon.
– Gyaaaaah!
As energias de Orgemon estavam sendo drenadas de seus ferimentos.
Merda, estou desmaiando...
Ele colapsou de costas no chão e os Woodmons caíram sobre ele.
Tch, o céu é tão brilhante...
Então...
Através das frestas entre os corpos amontados em cima dele, ele podia ver alguém atrás dos Woodmons.
Saltou do barranco acima da cabeça de Orgemon. Tinha pelagem amarela brilhante com faixas vermelhas, duas presas longas que se projetavam de sua boa, e uma cintura fina que emoldurava um corpo de aparência feroz. As garras em suas quatro aptas brilhavam como aço.
– Grrroaaaaaaaar!
O Digimon aterrissou graciosamente no fundo do desfiladeiro, saltando nos Woodmons por trás. Se erguendo sobre as patas traseiras, ele usou as garras da frente para cortar os Woodmons como um machado, dividindo-os ao meio horizontalmente, verticalmente, diagonalmente ou tanto faz.
Devia haver um número considerável dele, mas não demorou muito tempo para os Woodmons seram varridos da existência.
Quando o Digimon desconhecido se aproximou do Orgemon caído e machucado e falou:
– Você está bem, Orgemon?
Orgemon tinha certeza que seria morto em seguida, então piscou os solhos estupidamente ao ouvir seu nome.
O outro Digimon sorriu para ele, então regrediu diante dos olhos de Orgemon num instante.
Era Leomon, aquele por que Orgemon esteve procurando.
– Leomon! Desde quando você consegue digivolver?
– Não muito tempo atrás. Não sei como aconteceu também. De acordo com Andromon, pode ter sido porque os Digivices das Crianças Escolhidas me tocaram enquanto eu estava na Ilha Arquivo.
– ... Ahh.
Orgemon só pôde soltar um pequeno suspiro de decepção porque seu rival Leomon tinha aberto uma grande vantagem sobre ele.
– A propósito, Orgemon, você viu um cometa cor de arco-íris?
– Sim, eu vi. Caiu no mundo de oceanos.
– O mundo de oceanos...
Era uma área que Leomon ainda não tinha explorado, então ele perguntou: – Que tipo de lugar é?
– Bem como o nome já diz. É um oceanos. Oceano pra onde quer que você olhe. Tem praias e ilhas aqui e ali, mas é um lugar difícil para eu viver.
Leomon se lembrava que Orgemon não sabia nadar.
– Você vai pro mundo de oceanos? – Orgemon perguntou.
– Sim. Tenho que encontrar as Crianças Escolhidas.
– Espera. Se você vai lá, então ao menos lute comigo antes!
Orgemon o desafiou para uma batlalha, mesmo embora não pudesse nem ficar de pé.
– Não seja estúpido! Mesmo se eu lutasse com você agora e vencesse, isso deixaria um gosto ruim na minha boca. Vamos lutar depois que você sarar desses ferimentos.
Enquanto falava, Leomon quebrou os galhos de uma árvore próxima, juntando-os em volta de Orgemon para camuflá-lo. Isso impediria que outros inimigos o vissem enquanto ele sarava.
– Isso é o que você diz, mas você não está só tentando fugir, está? – Orgemon disse, ainda mantendo a fachada.
Leomon deu de ombros ligeiramente. – Não se preocupe. Uma vez que resolva meus assuntos, eu vou voltar. Então fique quieto aqui e cuide de você até lá.
Dizendo isso, Leomon virou de costas e correu para o mundo de oceanos.
Atrás dele, Orgemon gritou: Ei, Leomon! Não ouse morrer pra outra pessoa! Eu sou o único que pode derrotar você! Não ouse morrer!

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