
– Gás negro?
Sora apertou as mãos intrigada pelas palavras de Andromon.
– Sim. Eu não vi com meus próprios olhos, mas Leomon me contou sobre isso. Deve ser o gás negro. É onde Yamato é mantido prisioeiro.
Sora, Takeru e Andromon chegaram naquele lugar usando o localizador do Digivice de Sora. Mas o gás negro pairava onde o ponto piscava, e quando Sora e Takeru tentaram entrar, Andromon se apressou em pará-los.
– O que acontece quando você entra ali? – Taikeru perguntou preocupado.
– De acordo com Leomon, uma vez que o gás cercou os Digimons, eles começaram a matar uns aos outros. Talvez tenha a habilidade de controlar aqueles com trevas em seus corações e enlouquecê-los até a morte.
– Então... Isso aconteceu com o meu irmão?
– Eu não sei. Felizmente, como eu sou uma máquina, o gás negro não será capaz de tomar o controle do meu coração. Eu vou checar, então o resto de vocês, fique aqui.
– Não, eu quero ir também! – Takeru chorou, mas Sora o parou.
– Vamos deixar isso com Andromon.
Sora realmente queria salvar Yamato também. Mas ela sabia que não importava o quanto estável uma pessoa fosse, ainda havia um perigo dela ser cercada pelas trevas. Todos os humanos eram assim.
Mas as palavras de Andromon seriam suficientes para libertar o coração de Yamato dessas trevas? Nem mesmo Sora tinha certeza disso.
Piyomon interrompeu. – Vai ficar tudo bem, Takeru. Yamato terá resolvido suas pendências sozinho e então estará de volta – ela disse, consolando Takeru. – Afinal, ele tem Gabumon com ele.
Ouvindo isso, Sora acenou vigorosamente.
Isso mesmo. Quando ela esteve evitando todo mundo sorrateiramente no Lago Temporário, fora Piyomon a mexer com o coração de Sora.
Era pra isso que serviam os parceiro.
A certeza de Sora foi revigorada.
Yamato vai voltar. Ele tinha Gabumon com ele. Então ela teria fé nele e esperaria. Afinal, era o que amigos faziam.
Sora olhou para o céu acima dela. Ela podia ver a terra e os mares do Mundo Real.
Você se sente do mesmo jeito, mãe, certo? Eu estou muito longe do seu alcance agora, mas você está esperando aí, tendo fé em mim também, certo...?
Direita, esquerda, cima, baixo; seus arredores inteiros eram uma escuridão absoluta.
Quanto tempo Yamato e Gabumon passaram cercados por essa escuridão?
Uma hora... Duas horas... Não, um dia? Uma semana?
Humanos enlouqueciam quando eram presos no escuro por um longo período de tempo. Ele lera isso num livro em algum lugar.
Felizmente para Yamato e Gabumon, uma luz fraca como uma vela sozinha estava com eles sempre que eles caminhavam. A fonte da luz era o Digivice de Yamato, e aquela luz escassa o protegia, servindo de escudo contra as trevas tentando entrar neles. E, como um par que estava preso numa montanha durante uma nevasca se reunindo diante da luz de um pequeno fogão par se aquecer, os dois se aconchegavam perto um do outro.
Mas mesmo que Gabumon estivesse em contato tão próximo com Yamato, ele sentia que o coração de Yamato estava muito, muito longe.
Era porque Yamato tinha uma ideia vaga de que seu próprio ódio, seu coração de trevas, era o que atraiu essa escuridão a eles, e seus consciência culpada tinha fechado obstinadamente seu coração.
O maior erro de cálculo de Yamato fora ele pensar que poderia controla o poder de seu ódio.
Mas do mesmo modo que era fácil ceder àquela tentação, ceder ao mal assim faz as pessoas fazerem coisas horríveis sem pensar. Controlar a tentação (o poder das trevas) não era fácil (se é que era possível).
Mas aquele pequeno poder das trevas não era como um vírus contagioso que se espalhava pelo ar. Ele residia dentro dos humanos. nos corações de todos os humanos.
Não significava que Yamato era uma pessoa má. Muito provavelmente foi porque ele se precipitou.
Ele se sentia tão compelido a acelerar a derrota dos Mestres das Trevas que permitira que suas escolhas fossem feitas a partir do ódio. Sua justificativa de usar o ódio para salvar o mundo o tinha roubado do tempo e do esforço que poderia ter usado para desviar essa energia em direção a um objetivo de natureza mais aceitável e meral.
Ele deveria ter percebido que uma luta baseada em ódio só traria ainda mais ódio.
– Acho que Koushiro estava certo – Yamato começou a murmurar. – Alguém que deixa as emoções tomarem conta de si não serve pra ser líder. Isso mesmo. Eu achei que Taichi não tinha tato só pensava superficialmente sobre tudo. Mas eu estava errado. Ele é decisivo e tem liderança... Diferente de mim... Eu sou um inútil
– Você está errado. Você não é inútil, Yamato!
Ouvir a voz de Gabumon tirou Yamato de seu transe. Ele achou que estava falando apenas para si mesmo. Ele esqueceu completamente que Gabumon estava ao seu aldo.
– Eu não sou bom... Como prova, até o meu irmão Takeru gosta mais do Taichi que de mim. Mas claro que ele gosta. Taichi é um irmão mais velho melhor.
– Isso não é verdade!
– Eu não tenho o direito de agir como irmão do Takeru...Eu só queria me sentir confortável na posição de irmão mais velho. Eu queria me convencer de que a única pessoa que o Takeru tinha era eu...
– Pare com isso!
– É por isso que eu fiquei tão irritado com o taichi... Mas eu percebi agora. Ninguém precisa de mim... Não faz diferença se eu estou lá ou não...
– Não! Há muitas coisas boas sobre você que só você tem!
– Chega... Só me deixe em paz.
– Yamato...
Gabumon sabia que o que quer que ele dissesse não chegaria a ele. Os olhos de Yamato tinha um olhar distante.
Se falar não funcionava...
Chomp!
Gabumon mordeu a perna de Yamato.
– Kuh!
Yamato gritou. – O que você está fazendo?
Yamato se virou para Gabumon e segurou a respiração. Gabumon estava chorando. Por quê? Por quem...?
– Só tem um de você nesse mundo, Yamato. Não é? – Gabumon apelou fervorosamente a ele, segurando seus próprios soluços.
Yamato estava tão sobrecarregado pela pressão que acenou relutantemente.
– Então por que você se compara com o Taichi? É claro que você e o Taichi são diferentes! Você é o irmão do Takeru, Yamato! Dizer que Taichi é mais irmão dele não faz sentido!
– Gabumon...
– Além disso... além disso... se você não estivesse aqui, então o que eu faria? Eu esperei nesse mundo a minha vida toda pra conhecer você e só você.
Yamato não pôde dizer nada.
– Você realmente não me quer por perto? Você quer mesmo ficar sozinho, Yamato? Então eu vou embora e desapareço. Mas só se você quiser isso mesmo!
– N-Não... – Yamato balançou a cabeça rapidamente, como se achasse que Gabumon iria embora imediatamente. – Eu estava mentindo quando disse que queria ficar sozinho. Foi da boca pra fora. Na verdade, eu quero estar com alguém. Tudo que eu faço é falar da boca pra fora e não deixar ninguém chegar perto, mas a verdade é...
Na mente de Yamato, a visão de sua mãe naquele dia puxando Takeru pela mão quando eles foram embora voltou vividamente para ele.
Isso esmo. Por que ele não disse na época? Não vá, mamãe, não vá...
– A verdade é, eu era solitário... Mas antes, eu achava que eu não devia chorar nunca. Porque eu estava sozinho, então eu queria pensar em mim mesmo como essa pessoa digna que poderia fazer tudo sozinho. Mas... a verdade é... que eu queria chorar.
Não vá... Por favor, volte, mamãe!
– Eu odeio... ficar sozinho – Yamato falou como se tivesse voltado a ser uma criança pequena.
– Então... – Gabumon disse ferozmente. – Se apoie em mim! Precise de mim do mesmo jeito que eu preciso de você! Então... Eu tenho certeza que... vou trabalhar ainda mais duro!
As lágrimas caíam livremente pela cara de Yamato enquanto ele sorria.
– Isso mesmo. Você está comigo, Gabumon. Eu... não estou sozinho.
– Você me entende, Yamato.
– Sim. Eu tenho meus amigos... Eu tenho Takeru, meu pai... E minha mãe.
Todas as trevas que envolviam Yamato começaram a desaparecer. Agora que as trevas no coração de Yamato se foram, o gás negro parecia ter perdido interesse nele e foi procurar outra presa.
– Ei, Yamato. Olha! – Gabumon apontou para uma sombra se aproximando deles através do gás que desaparecia.
Era Andromon.
– Todo mundo está esperando. Vamos.
Foi tudo que Andromon disse antes de dar meia volta e prontamente voltar para de onde ele veio.
O coração mecânico de Andromon não sabia como expressar ternura, mas Yamato estava se sentindo imensamente grato por isso.
Atrás de Andromon, Yamato caminhou lado a lado com Bagumon.
Enquanto o gás enfraquecia em volta dedles, Yamato viu as sombras de outras pessoas à frente.
Eram Takeru e Sora, mas para Yamato, Sora parecia outra pessoas.
Mãe...
PRÓXIMO CAPÍTULO
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