
Yamato e Takeru estavam em Shibuya.
Logo depois de mudarem linha do metrô para a que ia para Sangenjaya, Takeru e Patamon brigaram por algo trivial e Patamon voou para fora.
– Foi minha culpa por gritar com ele assim de repente – Takeru disse com tristeza.
– Não fica assim.
Era tudo que Yamato podia dizer.
Pra ser franco, a razão inteira da briga ter acontecido foi porque Takeru disse que podia ir o resto do caminho pra casa sozinho depois de mudar de metrô e Yamato tinha discordado.
Era difícil para eles se separarem um do outro e Patamon parecia sentir isso, porque disse: – É realmente tão difícil um ir sem o outro?
E isso atingiu Takeru num nervo.
– Você não tem o direito de dizer isso!
O trem em que eles estavam tinha chegado a Shibuya naquele ponto, então quando as portas abriram, Patamon saiu voando. Quando os meninos se mexeram para ir atrás dele, Patamon já tinha deixado o subterrâneo, então Yamato, Takeru e Tsunomon acabaram se debatendo entre as multidões da Rua Dogenzaka de Shibuya num domingo à noite.
As pessoas de Shibuya não prestavam atenção uma nas outras. Nem mesmo Patamon voando pareceu atrair o interesse delas.
– Se esse fosse qualquer outro lugar, as pessoas estariam gritando e nós saberíamos pra onde ele foi. Não sei se isso é uma coisa boa ou não. – Yamato disse olhando em volta enquanto carregava Tsunomon nos braços.
Enquanto desciam a Rua Spain Hill, eles acabaram trombando com um certo grupo que, numa cidade normal, teria feito todo mundo gritar .
– Kyahahahahaha!
Uma dupla estranha do tamanho de crianças estava rindo enquanto corriam pela Sapin Hill à frente deles.
– São Digimons! – Tsunomon gritou e pulou das mãos de Yamato. Com um clarão de luz, ele instantaneamente digivolveu para Gabumon.
– Vocês dois trabalham para Vamdemon, não trabalham?
Os dois Digimons pararam.
– Tem uma garota de Shibuya muito mais assustadora que Vamdemon nos perseguindo! – O Digimon que, para todo mundo, tinha uma cabeça de abóbora de Halloween acesa disse. O que o fazia ligeiramente diferente das abóboras normais era o grande machado enterrado no topo de sua cabeça.
– Nos ajude! – o Digimon encorpado que parecia uma monte de pedras coladas uma na outra em forma humana disse.
Yamato, Takeru e Gabumon olhava de boca aberta enquanto o grito estridente de uma garota veio de mais atrás num "Pra onde diabos vocês foram?". Os dois Digimons se esconderam à beira da estrada.
– Pra onde aquele cabeça de abóbora foi?
Uma garota veio correndo na direção deles, balançando a bolsa enquanto uma gota de sangue descia de seu nariz. Depois de uma inspeção mais de perto, a garota tinha um grande piercing no nariz, que era de onde o sangue vinha. O Digimon abóbora deve ter puxado.
– Foram por ali – Yamato disse relutantemente, apontando para o topo da colina. A garota correu para onde ele apontou, soltando um grito incompreensível, mas assassino. Os dois Digimons apareceram diante dele depois dela ir embora.
– Muito, muito obrigado. Eu sou Pumpmon – o Digimon abóbora disse.
– Eu sou Gotsumon – o Digimon rochoso disse.
– Somos Digimons à moda de Shibuya!
Os dois cantaram em uníssono, então riram e fugiram enquanto Yamato, Takeru e Gabumon encaravam em plena perplexidade. Quaisquer luzes pelas quais os dois passavam piscavam seguindo seus rastros.
Embora não soubessem o que estava acontecendo, os dois meninos os perseguiram.
Koushiro saiu em silêncio pela janela para as ruas e andou para a frente do condomínio de Taichi. Ao lado dele, usando uma capa de chuva que servia perfeitamente em seu corpo, estava Tentomon.
– Essa resposta...
Koushiro mostrou a tela de seu Digivice a Tentomon. Havia dois pontos piscando nela.
– Um, dois, três... Eles se sobrepõem quando então pertos uns dos outros, mas tinha seis aqui. Esse ponto no meio é você, Koushiro, não é?
– Esses três aqui são Jou, Sora e Mimi. E esses dois...
– Não são Taichi e Yamato?
– Não. Yamato e Takeru saíram de Odaiba faz um tempo. Esses dois pontos estavam aqui mesmo antes deles irem. Yamato ainda não voltou e, além disso, ele mora por ali.
Ele apontou para um prédio separado do condomínio de Taichi. Era numa direção diferente da luz que eles viam agora na tela.
– É? Então o quê? Significa que essa luz é...
– O oitavo Digivice. Em outras palavras, a oitava criança. E mais...
Koushiro olhou para o prédio.
– Essa criança mora no mesmo lugar que o Taichi,
– A gente ama se divertir! – Pumpmon disse enquanto lambia uma casquinha de sorvete sabor abóbora. Ele tinha roubado de uma sorveteria.
– Tem um gosto gelado e delicioso!
Gotsumon estava comendo sorvete de batata doce. Também tinha sido roubado.
– Caras, roubar é ruim – Yamato disse, respirando pesado.
Quando o dono da loja perseguiu os dois ladrões, Yamato, Takeru e Gabumon também correram, já que foram vistos juntos deles.
Memso antes disso, Pumpmon e Gotsumon estiveram fazendo o que lhes tava na telha enquanto corriam por Shibuya. Eles pularam em semáforos e os sacudiram, fazendo as luzes piscarem e o tráfego engarrafar. Quebraram a vitrine de uma loja e tiraram roupas dos manequins para vestir, perturbuaram casais namorando, abriram tampas de bueiros, picharam placas, etc.
– Já chega, vocês dois – Yamato disse irritado. Nesse ponto, ele nem sabia mais pra que estava perseguindo aqueles caras.
Em sua confusão frenética, eles pararam para descansar em algum lugar ao sul de Shibuya, em um terreno vago por onde dificilmente as pessoas passavam. Essa terra vazia parecia ter sido uma área residencial antes de ser destruída.
Vários buracos vazios na terra como aquele apareceram depois que a bolha econômica do Japão explodiu. Apenas paredes de placas de ferro a separavam do prédio ao lado. Materiais de construção estavam descuidadamente empilhados dentro do terreno, providenciando um lugar para eles sentarem e descansarem.
De qualquer modo, Yamato tinha uma sensação de que aqueles estranhos Digimons não eram seus inimigos.
– Yamato, eu quero sorvete também.
Já que usava um casaco de pele, Gabumon fica com calor muito fácil. Suas palavras fizeram Yamato hesitar, porque ele podia dizer pela cara de Takeru que ele sentia o mesmo que Gabumon.
– Depois – ele estava a ponto de dizer, quando um vento frio fez Yamato virar de costas.
As luzes da rua estavam apagadas, e ele podia ver algo branco vindo do outro lado da estrada. Um punhado névoa espessa se movia devagar na direção deles, chegando mais perto.
– É o Mestre Vamdemon!
– Vocês têm que se esconder.
Não havia tempo para decidir se dava ou não para confiar nos dois Digimons. Os meninos e Gabumon correram mais pra dentro do terreno baldio, se escondendo atrás de uma alta pilha de canos de esgoto.
A estrada à frente do terreno estava completamente coberta de neblina agora. Dentro dela, o som de rodas pesadas chacoalhando ficou mais próximo e parou. Ouviu-se o som de uma porta abrindo, então o de alguém descendo.
– Pumpmon, Gotsumon – era a voz de Vamdemon. – Vocês acharam a oitava criança?
– Não, ainda não...
– Então o que vocês estão fazendo aqui?
Eles não precisavam responder. Ele sabia de tudo. Os dois podiam dizer pelo som de sua voz.
– Vamdemon... Senhor...
Pumpmon e Gotsumon sabiam o que os aguardava em seguida.
– Vocês sabem o que acontece com traidores.
Mesmo enquanto falava, Vamdemon se aproximou, se revelando de dentro da névoa. A máscara que ele usava sobre os olhos parecia brilhar numa luz vermelha, que não era só por causa das luzes neon acima dele.
– Asa Espantosa!
Ele estendeu a mão para fora de sua capa, e uma revoada de morcegos saiu.
– Doces ou Travessuras! – Pumpmon gritou. Uma abóbora gigante do tamanho de um caminhão pequeno apareceu acima da cabeça de Vamdemon.Apesar da aparência, Pumpmon era um Digimon de Nível Perfeito e suas habilidades ofensivas não eram nem um pouco fracas. A abórora que ele invocou com sua técnica estranha tinha tanto a massa quanto a durabilidade para esmagar a maior parte dos inimigos num único golpe.
Mas os morcegos de Vamdemon eram mais rápidos.
Voando de volta na direção oposta, eles mergulharam na abóbora com as bocas abertas, parando-a enquanto desciam. A bóbora foi coberta pelos morcegos, se tornando uma massa negra que gradualmente encolhia. Os morcegos devoraram a abóbora interia com seu apetite insaciável.
Pumpmon estava horrorizado que seu ataque pôde ser parado assim tão fácil. Gotsumon reuniu o máximo que pôde de suas energias e lançou uma rocha da cabeça.
– Punho de Pedra!
A rocha voou, mirando diretamente a testa de Vamdemon. Tinha uma velocidade da qual não dava pra desviar. Vendo-a, os olhos de Vamdemon faiscaram por um segundo, e a rocha foi reduzida a poeira.
Os morcegos terminaram de comer a abóbora acima de sua cabeça e voaram direto para Pumpmon e Gotsumon. Os dois desapareceram atrás de uma massa negra de morcegos se contorcendo.
– Não olhe!
Yamato, que esteve assistindo à coisa coisa, cobriu a cabeça de Takeru com os braços. Ele nunca sonhou que Vamdemon voltaria sua mão contra os próprios aliados assim. Eles não chegariam a tempo de salvar Pumpmon e Gotsumon.
Houve gritos, mas não duraram muito tempo.
O som das asas de morcego gradualmente se aquietou.
As únicas coisas que caíram com um baque surdo no chão foram o machado da cabeça de Pumpmon e uma rocha que era parte do corpo de Gotsumon. As duas se quebraram em partículas e desapareceram.
– Eu sei que vocês estão aí, Crianças Escolhidas.
A voz de Vamdemon soou mais próxima.
Yamato empurrou Takeru enquanto falava.
– Eles eram bons.
Lágrimas caíam de seus olhos quando ele olhou para cima.
– Você não tinha que matá-los.
Tomado pelos sentimentos de Yamato, o medidor de seu Digivice disparou ao ponto mais alto.
– Gabumon digivolve para Garurumon!
A luz brilhante da evolução fez Vamdemon fechar os olhos.
Um lobo gigante, Garurumon, saltou de dentro da luz, investindo contra Vamdemon. O peso súbito enorme empurrou Vamdemon para fora do terreno baldio para a estrada do prédio oposto, mas Vamdemon derrubou Garurumon de volta com um braço. Enquanto girava no ar, Garurumon lançou chamar azuis de sua boca.
– Rajada Uivante.
Mas Vamdemon já estava no ar também. Ele flutuava, apesar das leis da gravidade. As chamas de garurumon se estenderam até ele, e Vamdemon as bloqueou com o balançar de sua capa.
– Foi só por um momento, mas aqueles caras eram nossos amigos.
Yamato agarrou seu brasão. Garurumon empurrou com as patas contra a parede de um prédio para voar alto na direção de Vamdemon.
– Garurumon! – Yaato gritou
O brasão em seua mão liberou uma energia azul.
O corpo inteiro de Garurumon foi envolto em luz. Sua forma mudou em pleno ar.
– Garururmon super digivolve para Were Garurumon!
O lobo giante se transformou num lobisomem usando calças jeans, e deu um chute aberto no ar antes da luz ao redor dele desaparecer.
– Chute de Lobo!
Aquele chute ainda estava muito longe de alcançar o alvo. Porém, uma onda de choque se formou na forma de uma lua crescente na direção de Vamdemon.
Os olhos de Vamdemon se alarram e os cantos de seus lábios se torceram apra cima ligeiramente. Ele parecia pensar que as coisas tinham ficado mais interessantes. Com um pu ho, ele mudou a direção do ataque.
As ondas de choque subiram, criando explosões silenciosas.
Os semáforos foram feitos em pedações e os vidros das janelas dos prédios se estilhaçaram em todos os lados.
Koushiro e Tentomon subiram pelo elevador até parar na porta com a placa YAGAMI escrita nela.
Ele olharam para a resposta do Digivice. Não havia erros, tinha dois pontos piscando nela.
– Taichi disse uma vez que tem uma irmã mais nova, não disse...? Ela é...?
Hesitante em apertar o botão do interfone àquela hora da noite, Koushiro decidiu voltar para seu quarto e ligar para Taichi.
A praça em frente à estação de Shibuya, onde ficava a estátua de Hachiko, era um ponto famoso onde as pessoas se reuniam já há um longo tempo. Patamon deve ter ouvido essa informação em algum lugar, porque lá estava ele, olhando para baixo por entre as árvores.
Ele nem tinha ideia de por que tinha voado do metrô com tanta rava antes. Ele não percebera que era porque suas emoções estavam sincronizadas com as de Takeru. Agora ele se arrependia, sentindo que devia ter se desculpado na hora.
Mas como ele encontrarai Takeru e os outros agora? Ele não tinha certeza se esperar ali ajudaria a achá-los de novo, mas ele não conseguia pensar em outras opções.
Ele ouviu o som d epessoas murmurando. Ao longe, ouviu-se o som de uma explosão. Quando ele olhou naquela direção, as luzes neon na cidade estavam sendo destruídas uma a uma. A luta feroz de Vamdemon e Were Garurumon estava em movimento.
– Chicote Sangrento!
A sinistra eletricidade vermelha voou da palma da mão de Vamdemon. O chicote serpenteou na direção de Were Garurumon.
Depois de saltar no ar para aterrissar no muro do prédio da Tokyu Hands, onde Were Garurumon enterrou as garras e deu uma estrela para evitá-lo. O chicote elétrico estalou contra a parede onde ele pousara.
Depois de dar mis três estrelas antes de saltar no ar mais uma vez, Were Garurumon fez um corte em cruz com ambos os braços.
– Garras de Lobo!
Suas unhas vermelhas cortaram o ar, criando uma onda de ar vazia que voou contra Vamdemon.
Vamdemon, flutuando no ar acima dele, ergueu ambas as mãos para bloquear. Porém, a força do impacto o empurrou para trás em direção à parede do prédio atrás dele.
No instante seguinte, um bando de morcegos voou do buraco na direção de Were Garurumon.
Were Garurumon usou seus braços e pernas para sacudir os morcegos. Ele não pôde desviar do chicote elétrico vermelho que veio até ele de dentro da tempestade de morcegos.
Ele levou um golpe direto. Enquanto ele voava de encontro ao prédio da Parco, Vamdemon o acertou com outro golpe do chicote. Were Garurumon rolou no telhado, seu corpo entorpecido incapaz de se mover de novo naquele instante.
Vamdemon desceu na direção dele com um sorriso triunfante. DOis chcicotes vermelhos desciam lentamente de suas mãos.
– Were Garurumon!
Yamato e Takeru, olhando para eles do chão, estavam desamparados. Takeru gritou de todo coração.
– Alguém ajude! Patamon!
Seu grito alcançou Patamon, que estava voando pelo parque. O medidor do Digivice de Takeru disparou.
– Patamon digivolve para Angemon.
As pessoas no parque, que tinham recuado com as explosões neon, ficaram ainda mais chocadas quando testemunharam um anjo brilhante sobrevoar suas cabeças.
Vamdemon podia sentir a luz, o poder sagrado do bem, se aproximando de detrás dele.
Ele virou de costas brandindo o chicote.
Angemon se moveu mais rápido do que ele esperava e fez Vamdemon dar tudo de si para desviar do golpe da varinha dourada que vinha na direção dele.
– Angemon! – Takeru gritou. Sua voz era de felicidade, mas com um toque de medo. Ele só tinha visto Angemon uma vez antes, e aquela vez...
O anjo de seis asas flutuou no ar acima do prédio da Parco onde Vamdemon pousara. O vampiro de capa negra tinha recuado para colocar alguma distância entre eles, e também estava suspenso no ar.
Angemon, sem baixar a guarda, pisou com cuidado diante de Vamdemon enquanto falava com Were Garurumon atrás de si.
– Você está bem?
– Sim, vou ficar.
Were Garurumon era capaz de se mexer de novo. Ele se levantou, o poder retornando a ele mais uma vez.
Se aquele com os poderes sagrados tinha chegado, então não era um movimento inteligente ficar ali por mais tempo.
Vamdemon se lembrava que ele ainda tinha que terminar seu jantar.
Essa abertura não escapou da atenção de Angemon e Were Garurumon.
– Garras de Lobo!
– Mão do Destino!
Eles lançaram uma onda de ar vazia e a luz sagrada.
– Asa Espantosa!
Vamdemon lançou seu morcegos e, na mesma hora, balançou seu chicote vermelho de raios.
– Chicote Sandrento!
Os poderes de luz e trevas colidiram um contra o outro nos céus de Shibuya. Conforme o impacto mudava de cor, ele se expandiu o bastante para cobrir a cidade inteira. A cidade notoriamente iluminada sofreu um blecaute pelos próximos quinte minutos.
Vamdemon tinha fugido enquanto eles estavam distraídos.
Angemon retornou para Patamon. Enquanto ele caía mole no chão pela perda de energia, Takeru o pegou gentilmente no colo.
– Patamon...
– Takeru... Eu tô bem.
Takeru abraçou Patamon cuidadosamente. Ele não morreu dessa vez, o menino pensou. Graças a Deus, ele pensou.
Ao invés de retornar para a forma de Treinamento de Tsunomon, Were Garurumon retornou para Gabumon.


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