
Yamato e Takeru estavam dentro do trem Yurikamome em direção a Shinbashi.
– Papai não estava em casa afinal.
– É, ele nunca está a essa hora.
– Então ele trabalha tarde assim no domingo à noite. Deve ser difícil.
O pai de Yamato trabalhava numa emissora de TV e chegava em casa tarde com frequência. Os dois meninos jantaram sozinhos. Acostumado a cozinhar, Yamato usou os restos na geladeira para fazer macarrão.
– O espaguete estava bom – Takeru disse.
Patamon deu um aceno secreto. Ele e Tsunomon estavam montados nos colos dos meninos, fingindo serem bichos de pelúcia.
Depois do divórcio, Takeru e a mãe tinham se mudado para Sangenjaya. Como Takeru devia ter dormido no acampamento de verão aquela noite, a mãe provavelmente estava trabalhando até tarde naquele dia. Porém, Yamato achou que era melhor que Takeru fosse para casa também. Estar no Digimundo significara que Takeru não tinha visto a mãe por mais de meio ano. Ele não falou, mas estava esperando para vê-la logo.
Independente disso, ele não deveria ir sozinho. Por isso Yamato estava acompanhando ele até Sangenjaya.
Alguém estava observando o Yurikamome.
Embora estivesse quente, mesmo depois do sol se por, ele vestia uma longa capa que cobria seu corpo e balançava com o vento. Era o subordinado de Tailmon, Wizarmon.
Wizarmon sabia que as duas Crianças Escolhidas estavam no Yurikamome. Mas ao invés de mostrar qualquer interesse em persegui-las, ele desapareceu na escuridão da noite.
– As comunicações por telefone caíram em todas as áreas ao longo de Tóquio, seguidas por sinais de TV e ondas de rádio bloqueados. Há uma grande suspeita de que alguém esteja usando ondas de rádio ilegais para atrapalhar sistemas elétricos de comunicação. Descobriu-se que o primeiro sinal desse fenômeno aconteceu mais cedo essa tarde, no distrito de Nermima próximo de Hikarigaoka.
– Então, você descobriu alguma coisa?
O pai de Yamato, Hiroaki, falou ao telefone enquanto observava as notícias passando nos monitores de TV. Ele estava falando com seu diretor assistente Chioka.
– Nada ainda, senhor. O escopo é muito grande. Achei que fosse só Nerima a princípio, mas se estendeu para o norte de Saitama, o sul de Shinagawa, leste de Ginza e oeste de Ogikubo.
– Ouvi que chegou em Kichijouji agora¹. Não tem como dizer quando vai chegar a Odaiba. Só agarrem qualquer informação que puder e não volte até ter achado algo.
Ele desligou a ligação sem esperar para ouvir a resposta. Agarrando seus cigarros e um isqueiro, ele se dirigiu para a área de fumantes. Quando esse novo escritório para a rede de TV foi construído em Odaiba, o que mais o incomodou foi que ele não podia mais fumar à mesa.
– Interferência de rádio por terroristas, huh? Nossa, o que diabos levaria alguém a fazer isso nesse calor? – Hirokai sussurrou enquanto exalava a fumaça do cigarro,
O alcance da interferência eletromagnética (IME) que tinha começado em Nerima tinha aumentado com o tempo. Ou, mais precisamente, tinha se espalhado. Era como se veículos carregando um aparelho que bagunçava as ondas de rádio se espalhassem em diferentes direções de Nerima para outros cantos da cidade de uma vez. O problema era que ninguém conseguia encontrar esses tais veículos.
– Não é como se fosse o tipo de aparelho que humanos pudessem carregar por aí.
Havia até relatos de semáforos dando problemas. Descobrir onde esses veículos estavam ou quem era o culpado, antes que a polícia ou outras emissoras os pegassem, era seu maior desafio no momento. Infelizmente, o tempo passava sem que ele conseguisse qualquer tipo de pista.
Não tinha como ele saber que criaturas chamadas Digimons eram as causas dessas IME... ou mesmo que seus próprios filhos estavam envolvidos.
O sinal piscando de forma irregular no quarto cruzamento de Ginza foi consertado de uma vez.
Do alto de um prédio, um pequeno gato branco olhava para baixo para a longa fileira de carros que seguiam o fluxo lento. Era Tailmon. Como nenhum dos humanos lá em baixo andava olhando para cima, ninguém a notou lá.
Embora fosse noite, as luzes neon de Ginza iluminavam o céu, lançando suas luzes contra um balão negro flutuando por aí. O balão tinha asas que batiam, mas ninguém o notou também.
Era Pico Devimon. Ele pousou próximo a Tailmon.
– Já encontrou a oitava criança?
– Você encontrou?
– Meu papel é informar ao Senhor Vamdemon. Encontrar a criança é secundário – Pico Devimon zombou.
Os dois estavam carregando brasões. O brasão da oitava criança estava escondido deles num lugar que ninguém sabia. O conhecimento de Vamdemon em artes sombrias permitiu que ele duplicasse o brasão real.
Embora as réplicas não possuísse as mesma funções completas do original, ao menos o brasão deveria brilhas quando estivesse próximo da criança que deveria portá-lo.
Os Digimons subordinados de Vamdemon usavam essas réplicas para procurar ao longo de Tóquio. Diferente de Agumon e os outros nas formas Crianças, os efeitos que Digimons de nível Adulto tinham nos equipamentos eletrônicos no mundo real eram enormes. Suas meras existências estavam causando o IME.
Alguns procuravam dos céus, enquanto outros procuravam dos esgotos. Ainda tinha outros com corpos humanos o bastante, como Wizarmon, ou que eram pequenos o bastante, como Tailmon, e procuravam enquanto caminhavam por aí. Por onde eles passavam, sinais de trânsito piscavam de forma louca e os celulares ficavam sem sinal.
O que eles calcularam mal foi o quão grande Tóquio era e quantas pessoas viviam lá. Não tinha como dizer quanto tempo levaria para encontrar uma única criança naquela multidão.
– Onde está o Senhor Vamdemon?
– Ele saiu para jantar.
Outro erro de cálculo de Vamdemon foi a força do sol no verão de Tóquio.
Embora ele fosse um Digimon, Vamdemon compartilhava os mesmos traços que os vampiros das lendas, então ele era sensível à luz. Diferente de seu castelo no Digimundo, não havia um redemoinho de nuvens negras que o protegesse do sol ali.
Mas a noite pertencia a ele. E seu "jantar" também era como rezava a lenda.
– Bem, faça seu melhor e encontre a criança até pela manhã. Eu vou esperar boas notícias.
Depois que Pico Devimon levantou voo, Tailmon se virou lentamente.
– Qual é o problema? Por que você estava se escondendo?
Wizarmon saiu das sombras.
– Há algo que eu devo te contar, e apenas para você.
Koushiro notou quanod Yamato e Takeru deixaram Odaiba.
– Quanto tempo você vai continuar nessa pesquisa séria, Koushiro?
Koushiro tinha seu computador aberto e esteve trabalhando em algo já há algum tempo.
– Gennai instalou alguns programas aqui, mas tem tantas funções que eu não entendo. Deve haver algo útil que ajude a achar a oitava criança amanhã, então eu preciso checar tudo hoje. – Não houve tempo o bastante para checar tudo durante a viagem de ônibus.
Achando que seu Digivice pudesse ter algo além dos dados ligados ao seu computador quando conectado, ele segurou o Digivice em suas mãos. Foi quando ele viu dois pontos se movendo pela tela.
Ele abriu a janela para olhar em volta. Havia duas crianças viajando no Yurikamome.
– Yamato deve estar levando Takeru pra casa.
Enquanto Koushiro dizia isso e segurava o Digivice, ele notou uma outra coisa.
Uma névoa densa e bastante larga se formou numa parte isolada em Tóquio naquela noite. Dentro dela, disseram, se ouvia o ranger de rodas pesadas. Alguns diziam até que se via a sombra de uma carruagem, mas nenhum cavalo a puxava.
Depois que a névoa passou, uma mulher inconsciente foi encontrada. Embora ela tivesse a pele enrugada de uma mulher mais velha, as roupas que ela vestia eram de alguém de 20 e poucos anos. Dois pequenos pontos de pele machucada se alinhavam em seu pescoço.
– É como se ela tivesse sido mordida por um vampiro – o paramédico a ajudando sussurrou tão baixo que ninguém podia ouvir. Não ocorreu a ele que o que ele dissera a si mesmo era verdade.
Enquanto a névoa seguia viagem lentamente ao sul, o número de vítimas crescia.
1: O pessoal da tradução colocou uma imagem pra mostrar a área afetada aqui
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